SÃO PAULO — O corpo de uma criança de sete anos foi encontrado na tarde de domingo, 13, após o desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo. Outras cinco pessoas morreram, e um homem foi preso temporariamente durante a investigação.
O Corpo de Bombeiros informou que oito vítimas foram localizadas. No sábado, 12, uma menina de sete anos e um homem foram resgatados com vida e levados ao Hospital Municipal do Tatuapé com escoriações leves. Entre os mortos estão três mulheres, sendo uma grávida, e dois homens.
As identidades não foram divulgadas. O governo de São Paulo informou que sete vítimas são bolivianas e uma é paraguaia. Os corpos serão transportados à Bolívia para o sepultamento.
Investigação e prisões
O desabamento aconteceu por volta das 2 horas de sábado, na Rua Tequici. O prédio tinha 12 andares e atingiu a casa vizinha. Mais de 70 bombeiros e militares participaram das buscas, com apoio de 22 viaturas e um cão farejador.
A Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã de domingo, Ronaldo Vivacqua, apontado pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, responsável pela obra. Ele foi levado ao 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa, e permanece à disposição da Justiça.
Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável técnico pela obra, e Isis Brandão, mulher de Cristiano e sócia da construtora. Os dois estão foragidos.
A delegada Deidiene Fialho Costa Éboli afirmou que as prisões consideraram indícios de que o risco de desabamento era previsível e a falta de apresentação espontânea dos responsáveis para prestar esclarecimentos e ajudar nas buscas. “Tememos também pelo risco de fuga e destruição de possíveis provas”, disse.
A investigação identificou pelo menos três empresas ligadas à construção. A Polícia Civil requisitou documentos de constituição das empresas e do empreendimento. A prisão temporária de Ronaldo tem prazo de 30 dias, período em que deve ser emitido um laudo pericial de engenharia sobre a causa técnica do colapso.
Alvarás e fiscalização
A Prefeitura de São Paulo informou que a construção começou em 2019 sem alvará e passou por fiscalizações da Subprefeitura da Penha. A obra foi interditada, e foram aplicadas multas, incluindo uma de R$ 119 mil.
Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município conseguiu uma liminar para a paralisação imediata dos trabalhos. Um novo projeto foi apresentado em 2022. Em agosto de 2023, outro alvará foi concedido, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria feita em fevereiro de 2024 apontou que a demolição havia sido cumprida, mas o laudo é investigado pela Controladoria-Geral do Município. Segundo a apuração preliminar da prefeitura, checagens com moradores e imagens de satélite indicam que a demolição exigida não teria sido realizada. A servidora responsável pelo documento foi afastada por 30 dias.







