SÃO PAULO — A Polícia Civil prendeu neste domingo (13) um dos sócios-proprietários da construtora New Home, responsável pelo empreendimento que desabou na Penha, zona leste de São Paulo. A identidade dele não foi divulgada, e o homem foi levado para o 24º Distrito Policial (Ponte Rasa).
Outros dois responsáveis pela obra ainda podem ser presos. A polícia não confirmou quais crimes serão atribuídos aos investigados. O advogado da empresa informou que não deve se pronunciar neste momento. Em nota anterior, a New Home afirmou que “não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora.”
Obra tinha sido interditada
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que a construção era irregular. Segundo a Prefeitura de São Paulo, os trabalhos começaram em 2019, sem alvará, e foram alvo de interdição e várias multas. Em 2021, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação para suspender imediatamente a obra.
A construtora apresentou um novo projeto em 2022 e recebeu um alvará em 2023. A autorização determinava a demolição da estrutura já existente. Em 2024, uma servidora da Subprefeitura da Penha registrou que a demolição havia sido concluída. Depois do desabamento, porém, técnicos da prefeitura verificaram, com vizinhos e imagens de satélites, que o serviço não tinha sido feito.
Daniel Falcão, controlador-geral do Município, afirmou que a servidora foi afastada por 30 dias. A Polícia Civil também investiga as irregularidades apontadas pela gestão municipal.
Seis mortes
O prédio tinha 11 pavimentos e caiu por volta das 2h de sábado, na rua Tequici. Os escombros atingiram uma casa vizinha, onde moravam nove pessoas. O imóvel também funcionava como oficina de costura, local de trabalho dos moradores.
O Corpo de Bombeiros encontrou neste domingo o corpo de uma menina de sete anos. Com a retirada da criança, o total de mortos chegou a seis: dois homens e três mulheres, incluindo uma grávida, além da menina. Todas as vítimas eram bolivianas e viviam havia nove anos no Brasil.
Um homem e outra menina de sete anos foram resgatados vivos, com contusões e escoriações leves, segundo o governo estadual. A operação durou mais de 24 horas e reuniu equipes dos bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.
Robson Mitsu, comandante do 3º grupamento do Corpo de Bombeiros, disse que a etapa de emergência terminou. A remoção dos escombros ficará sob responsabilidade da prefeitura. A Defesa Civil avalia se as fortes chuvas que atingiram a cidade podem ter causado a queda, enquanto o local passará por perícia.
Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão tenta viabilizar o transporte das vítimas para Oruro, na Bolívia, a pedido das famílias. A Polícia Civil continua procurando os donos da construtora para esclarecer o caso.







