Luapsy lançou ANJOBABY777 nas plataformas de streaming no final de Agosto. Cantado em português pela primeira vez, o álbum apresenta um lado mais vulnerável do artista e constrói uma mitologia baseada em números angelicais, sorte, transcendência e sincronicidade.
Com sete faixas, o projeto gira em torno da ideia de um “glitch divino”: uma falha capaz de revelar a alma e transformar Luapsy em um “anjo pós-internet”. A proposta é conduzir o público por um álbum-sonho, em que cada música representa uma experiência ou fragmento da existência.
O disco levou três anos de produção, pesquisa e estudo. Luapsy assina o trabalho em parceria criativa com Marcio Lomiranda. Gabriela Grafolin ficou responsável pela direção criativa, pela capa e pela direção do clipe de “111”. Entre as referências do artista estão Madonna e Lady Gaga, além de uma combinação de pop, rock psicodélico, intensidade e teatralidade.
As faixas de ANJOBABY777
“111”
A abertura fala sobre expansão de consciência e a possibilidade de renascer depois do caos. A faixa propõe uma visão mais ampla da existência e coloca os problemas cotidianos diante da dimensão do universo.
Também aparecem a ideia de morte do ego e o abandono de uma visão limitada de si mesmo. A criação foi descrita como leve e espontânea, construída por Luapsy e Lomiranda em um processo marcado pela diversão.
“222”
“222” aborda reencontro, paixão e a coragem de se permitir sentir. A música nasceu de uma experiência pessoal do artista, relacionada ao encontro com uma menina por quem se apaixonou e à descoberta da liberdade de viver o amor e assumir quem realmente é.
A faixa também celebra o orgulho LGBTQIA+ e a possibilidade de existir e amar sem se encaixar em expectativas. A proposta sonora é dançante, pop e solar.
“333”
A terceira faixa explora a irracionalidade da existência e a busca por respostas para a experiência humana. Ciência, teorias, Matrix, espiritualidade e ficção científica se misturam em uma investigação que questiona a existência de uma verdade fixa.
A música tem uma energia performática e caótica. Para Luapsy, a dúvida pode funcionar como uma forma de liberdade, enquanto a faixa se destaca entre as preferidas para apresentações ao vivo.
“444”
Trauma e desapego aparecem em “444”, que trata do fim simbólico de uma versão de si para permitir o surgimento de outra. A composição também fala sobre abandonar estruturas conhecidas e enxergar a realidade por uma perspectiva diferente.
A letra foi escrita quando Luapsy tinha cerca de 16 anos. Lomiranda renovou a composição com o arranjo, mantendo o tema delicado e dando à faixa uma abordagem sutil e sensível.
“555”
“555” celebra a vida, a natureza e a conexão com o mundo natural. Hique Gomes, do Tangos & Tragédias, participa tocando violino.
A música foi pensada com uma atmosfera inspirada em Fleetwood Mac, combinando sonoridade orgânica e psicodélica com uma sensação ritualística. O violino ganhou destaque no arranjo e acrescentou uma dimensão emocional à faixa.
“666”
A música trata das formas usadas para fugir de si mesmo, como relacionamentos tóxicos, vícios e comportamentos que afastam uma pessoa da própria essência.
Foi a primeira faixa produzida por Luapsy para o projeto. A base mistura trap, rock e elementos pop, com uma sonoridade mais pesada e referências ao nu metal. A estrutura instável acompanha o conflito interno apresentado na letra.
“777”
Descrita por Luapsy como o coração do álbum, “777” parte da ideia de que as ideias podem vir de um lugar além de cada pessoa. A faixa fala sobre sensibilidade, criação e sobre transformar em algo novo aquilo que ainda não existe.
A música também aborda o poder de ser quem se é. O que parece inadequado ou incompreensível pode apenas não ter encontrado espaço no mundo. Com arranjo psicodélico e forte presença performática, “777” é a faixa favorita de Luapsy no projeto.







