Depois de Dez anos sem lançar um álbum de inéditas, o It’s All Red voltou ao estúdio com um trabalho homônimo. A banda de metalcore mantém a produção de singles nesse intervalo, mas agora reúne em um disco temas como deslocamento, violência, memória e identidade.
O principal destaque é a participação de Humberto Gessinger em “Pertencimento Pt. 1” e “Pertencimento Pt. 2”. Dividida em duas partes, a colaboração aproxima a sonoridade pesada do It’s All Red de referências associadas ao rock e à música brasileira. A parceria também tem ligação com a trajetória dos músicos: Gessinger produziu trabalhos no estúdio de Rafael Siqueira, guitarrista da banda.
Um álbum sobre encontrar espaço
Com 20 anos de trajetória, o It’s All Red constrói o disco em torno da ideia de pertencer a algum lugar. Em “Pertencimento”, a banda e Gessinger abordam imigrantes que deixam seus territórios em busca de identidade, reconhecimento e acolhimento.
Gessinger cita Led Zeppelin, Deep Purple, Iron Maiden e Motörhead entre suas referências de música pesada. Durante as gravações, ele e os integrantes também trocaram ideias sobre bandas de diferentes gerações, como Opeth e Ghost. Para Rafael Siqueira, ouvir a voz do músico sobre uma base pesada foi emocionante: “Dá vontade de fazer um disco inteiro”.
A banda já havia alcançado projeção fora da cena brasileira e foi escolhida por Dave Mustaine para abrir o show do Megadeth em Porto Alegre, em 2016.
Violência transformada em música
“Femme” leva o tema do pertencimento para uma dimensão marcada pelo feminicídio. A faixa foi inspirada em um caso real que atingiu diretamente a família de Tom Zynski, vocalista do It’s All Red. O crime aconteceu em 2025 e foi o décimo feminicídio registrado no Rio Grande do Sul no primeiro mês daquele ano.
O clipe, dirigido por Bruno Carvalho, apresenta a violência sem suavizá-la. A música transforma a dor da família em uma resposta artística e aborda a indignação diante da violência contra a mulher.
Metal sem fronteiras
O álbum também amplia sua paleta musical. Elementos de prog metal e death metal aparecem ao lado de referências diversas do rock e do metal. Em “Naad”, a cítara tocada por Daniel Nodari acrescenta outra camada ao som da banda.
Já “Macau” aborda as Guerras do Ópio, na China do século XIX, para discutir território, poder e deslocamento. A capa do disco traz uma papoula, imagem ligada ao ópio e a ideias como beleza, sofrimento, morte, perda e memória.
Entre as referências citadas por Rafael estão Parkway Drive, Gojira, In Flames, Killswitch Engage, Sevendust, Trivium, Alice in Chains, Bring Me the Horizon, Death, Faith No More, Metallica, Nevermore, Nine Inch Nails, Sepultura e Tool.
A formação atual do It’s All Red tem Tom Zynski nos vocais, Rafael Siqueira na guitarra e no baixo, Daniel Nodari na guitarra e Renato Siqueira na bateria. Vicente “Velles” Telles e Vini Möller participam de “Pertencimento”.







