BELÉM — Centenas de pessoas participaram, na noite desta segunda-feira (14), da missa de sétimo dia de Zélia Amador de Deus, na Igreja do Carmo, no bairro da Cidade Velha. A professora, escritora e ativista morreu na última terça-feira (8).
Familiares, amigos, estudantes, pesquisadores e ativistas do movimento negro estiveram na celebração, que teve como tema “Eu sou porque nós somos”, em referência à filosofia africana Ubuntu. A cantora e sambista Gigi Furtado participou do canto da missa.
O viúvo de Zélia, Anselmo Bentes de Oliveira, pediu orações pela justiça social, uma das pautas defendidas por ela. Os ritos iniciais foram lidos por parentes e destacaram a trajetória da professora como educadora, escritora, atriz, diretora de teatro e defensora dos direitos da população negra.
Legado na UFPA
Zélia era professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e teve atuação ligada à democratização do ensino superior e à inclusão de negros, quilombolas, estrangeiros, indígenas, mulheres e pessoas LGBTQIA+.
O reitor da UFPA, Gilmar Pereira, afirmou que ela teve papel central na construção de uma universidade mais inclusiva. “A Zélia, sem dúvida, foi a pessoa mais importante que a UFPA já teve até agora”, declarou.
A influência da pesquisadora também foi lembrada por estudantes estrangeiros. Israel Hounsou, doutor em educação, de 33 anos e natural de Benin, disse que Zélia foi como uma mãe para ele e para outros alunos da universidade. Ele contou que a professora o acolheu quando ainda tinha dificuldades para falar português e o ajudou a continuar os estudos.
Edilamar Conceição, integrante do Centro de Estudo e Defesa do Negro (Cedenpa), afirmou que os estudos de Zélia servem de apoio à luta negra no Pará. Ela também destacou o acolhimento oferecido pela pesquisadora a jovens e estudantes.
A celebração reuniu pessoas que conviveram com Zélia e relembraram seus ensinamentos, sua atuação acadêmica e o compromisso com o cuidado e o respeito entre as pessoas.







