BELÉM — A programação do Auto do Círio 2026 vai reservar um momento especial para lembrar Zélia Amador de Deus, uma das idealizadoras do evento cultural da Universidade Federal do Pará (UFPA). O anúncio foi feito durante o lançamento realizado na manhã deste domingo (13), no Instituto de Ciências das Artes (ICA), na praça da República.
A professora, pesquisadora e escritora morreu na terça-feira (8), em Belém, aos 76 anos, e foi sepultada na quarta-feira (9). Zélia foi a primeira vice-reitora negra da UFPA e participou da criação do Auto ao lado de Margareth Revescalevisk e Miguel Santa Brígida.
O encontro reuniu a coordenadora do Auto, Inês Ribeiro, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira, João de Paes Loureiro, professores, estudantes, diretores do cortejo e familiares de Zélia. O espaço recebeu apresentações artísticas e terminou com um mini cortejo pela praça da República.
A Mametu Nangetu abriu a atividade com uma roda de batuque. Para ela, Zélia se tornou uma ancestral. A programação também recuperou referências do trabalho da professora, incluindo a frase “Eu não sou escrava, eu sou descendente de reis e rainhas”.
Próxima edição
Organizado pela Escola de Teatro e Dança da UFPA (Etdufpa), o Auto chega à sua 32ª edição com o tema “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé”. O cortejo será realizado no dia 9 de outubro, na Cidade Velha, na sexta-feira que antecede o Círio de Nossa Senhora de Nazaré em 2026.
Inês Ribeiro definiu Zélia como cocriadora do Auto e relacionou o evento à integração entre música, dança, teatro, universidade, grupos culturais e comunidade. Gilmar Pereira afirmou que o Auto representa o serviço cultural da UFPA para a sociedade e associou a trajetória do evento à atuação da professora.
Petia Oliveira, filho de Zélia, agradeceu a homenagem feita à mãe. O arquiteto urbanista, de 53 anos, disse que ela teria ficado feliz com a celebração e lembrou a devoção dela a Nossa Senhora de Nazaré.







