A Assembleia Geral da ONU aprovou uma nova referência cartográfica para representar o planeta com proporções mais próximas das áreas reais. A resolução recebeu apoio de 164 Estados-membros, enquanto Seis países se abstiveram e apenas os Estados Unidos votaram contra. A decisão ocorreu na última sexta-feira (4).
A iniciativa, chamada de “Corrija o mapa”, foi proposta por países-membros da União Africana. O novo modelo busca diminuir o destaque visual dado às regiões próximas aos polos, um efeito associado à projeção de Gerhard Mercator.
A escolha da Equal Earth
A referência aprovada usa a projeção Equal Earth, ou “Projeção da Terra Igual”, criada em 2018 por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. O modelo mantém a equivalência entre as áreas e procura apresentar uma visão decolonial do mundo, em oposição à representação eurocentrista.
A resolução afirma que a projeção de Mercator “perpetua uma visão desequilibrada do mundo”. O documento também relaciona a mudança à “justiça cognitiva e reparação memorial”, especialmente no caso da África.
Desenvolvida em 1569, durante as Grandes Navegações, a projeção de Mercator representa paralelos e meridianos como linhas retas que se cruzam em ângulos de 90º. Como a Linha do Equador é o ponto de contato entre o mapa plano e a esfera terrestre, as áreas ficam mais distorcidas conforme se aproximam dos polos. Nesse arranjo, a Europa aparece em posição central, enquanto África e América Latina são reduzidas visualmente.
Por que mapas também envolvem política
A resolução aprovada considera que mapas influenciam a “percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos”. A organização das informações pode favorecer o Norte Global em relação a países latinos, africanos e asiáticos.
O documento também diz que as distorções produzem impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos. A correção, segundo a resolução, deve contribuir para reconhecimento, justiça e desenvolvimento.
Outro exemplo é a projeção associada a Arno Peters, também conhecida como Gall-Peters. Ela preserva as proporções das áreas, mas modifica seus formatos e coloca a África e outros países do Sul Global em posição central. A ideia teria sido pensada inicialmente por James Gall, em 1885.
A posição dos Estados Unidos
Na última segunda-feira (7), Donald Trump publicou na Truth Social uma imagem em que Estados Unidos, Canadá, Groelândia, Islândia, México, América Central e Caribe aparecem cobertos pela bandeira estadunidense. O governo islandês pediu explicações sobre a postagem e ainda não havia recebido resposta até a publicação do material.
Os Estados Unidos se opuseram ao novo modelo, apesar de a ONU defender, no “Pacto para o Futuro”, o combate a desigualdades históricas, estruturais e discriminações.
Outros tipos de projeção
As projeções podem ser azimutais ou planas, cilíndricas e cônicas. A primeira parte de um plano tangente; a segunda usa um cilindro e conserva formas, direções e ângulos, mas distorce proporções; a terceira utiliza um cone, com coordenadas originadas em uma região do globo.
Também existem modelos equidistantes, conformes, equivalentes e afiláticos. Eles podem preservar, respectivamente, distâncias, ângulos ou proporções, sempre com diferentes níveis de deformação.







