OSLO — Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, defendeu a aprovação imediata de leis para limitar a inteligência artificial. Para a jornalista filipina e norte-americana, a tecnologia pode tirar a autonomia das pessoas se não houver controle público.
Ressa é copresidente do painel científico internacional das Nações Unidas sobre IA, que avalia os efeitos da tecnologia na vida em todo o mundo. Ela também é cofundadora e presidente-executiva do Rappler, veículo de notícias que documenta o poder das grandes empresas de tecnologia.
“Pedir regulamentação não é uma questão de liberdade de expressão. É uma questão de segurança pública”, afirmou Ressa. Ela disse que os cidadãos precisam fazer campanha para pressionar políticos a aprovar uma legislação sobre o tema.
As três ondas da IA
Segundo Ressa, a inteligência artificial já existe há cerca de 70 anos e passou por três ondas de impacto público. A primeira foi formada pelas redes sociais, que captam a atenção, polarizam sociedades e isolam indivíduos.
A segunda envolve os chatbots e a manipulação da intimidade. A terceira é a chamada IA agentiva e multiagentiva, com modelos que podem agir pelas pessoas, além de simular comportamento humano.
Ressa rejeitou o argumento de que regulamentar a tecnologia faria países perderem a corrida tecnológica para a China. Ela citou o TikTok disponível no país, que tem restrições de idade, como exemplo de salvaguardas mais rígidas do que as adotadas pelo Vale do Silício para o restante do mundo.
A jornalista também defendeu que as empresas sejam responsabilizadas pelos danos causados por seus produtos. Ela mencionou ações judiciais nos EUA que levaram a Meta a pagar até US$18 bilhões na próxima década e a restringir o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes.
Plataformas fora das big techs
Ressa elogiou iniciativas da União Europeia e de países liderados pela Austrália para estabelecer limites de idade nas redes sociais, mas disse que a medida não resolve a dependência causada por esses serviços entre adultos.
Para ela, os recursos que geram dependência deveriam ser retirados para todos os usuários, e não apenas para adolescentes. A jornalista também propôs plataformas de comunicação desenvolvidas por grupos de interesse público, sem controle das grandes empresas de tecnologia.
O Rappler lançou o Rappler Communities em 2023. O aplicativo usa o protocolo de código aberto Matrix, com estrutura segura e descentralizada, para conectar a redação aos leitores e permitir conversas entre eles. O modelo foi oferecido a outros veículos de mídia filipinos e começou a ser expandido no Sudeste Asiático.







