CUPERTINO — A Apple deve apresentar na quarta-feira (9) um iPhone dobrável com preço estimado em mais de US$2.500. O aparelho, que se abre como um passaporte, é visto por analistas como um possível líder do mercado de celulares dobráveis, mesmo com câmeras e processadores que talvez não sejam os mais avançados entre os concorrentes.
A apresentação será conduzida por John Ternus, novo presidente-executivo da empresa. Além do hardware, ele terá de mostrar o avanço da Siri, cuja reformulação pode se tornar o primeiro grande resultado de sua gestão após anos de atrasos.
A aposta no dobrável
A Apple também deve atualizar os modelos premium iPhone Pro e Pro Max. Já as linhas iPhone Air e básicas e econômicas podem ficar para o outono de 2027, deixando o celular dobrável como o principal destaque do evento.
Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, estima que o aparelho possa gerar mais de US$45 bilhões em receita para a Apple até o final do próximo ano. A projeção considera que os celulares dobráveis ainda terão participação de um dígito no mercado geral.
Samsung, Google e Huawei vendem aparelhos desse tipo desde 2019. A expectativa é que a Apple use esse período para lidar com problemas de engenharia, como a resistência da dobradiça depois de milhares de usos e a redução do vinco na tela quando o celular estiver aberto.
“Eles viram o que funcionou e o que não funcionou com seus concorrentes”, disse Anshel Sag, analista da Moor Insights & Strategy.
Siri sob pressão
O desempenho da assistente virtual será outro ponto central. Uma atualização bem-sucedida até o final deste ano poderia aproximar a Apple do Gemini, do Google, segundo analistas. A empresa tenta convencer consumidores de que seus aparelhos são uma boa forma de usar recursos de inteligência artificial, enquanto desenvolvedores acompanham empresas como a OpenAI, que lança grandes melhorias a cada poucas semanas.
Os investidores têm relativizado o início lento da Apple na IA generativa por causa da base instalada de mais de um bilhão de dispositivos e da fidelidade dos clientes. Ternus, que passou cinco anos com perfil discreto à frente da engenharia de hardware, deve usar novos aparelhos como base para ampliar a IA integrada.
“Se a Siri ainda fosse ruim, ele teria uma quarta-feira muito mais difícil”, disse Carolina Milanesi, da Creative Strategies.
A atualização também enfrenta obstáculos regulatórios. Na China, a aprovação pode levar até 2028. Na Europa, o recurso não estará disponível inicialmente por causa de uma disputa regulatória. Para Gene Munster, da Deepwater Asset Management, lançar a novidade nos EUA a tempo será importante para criar confiança sobre uma futura chegada ao mercado europeu.







