A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima quase 100% de probabilidade de o El Niño continuar até fevereiro de 2027. A entidade, que é uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que o fenômeno está estabelecido, pode ganhar força nos próximos meses e deve atingir o pico no final de 2026.
A intensidade do ciclo pode aumentar os riscos de desastres climáticos e prejuízos para a agricultura. O El Niño é um fenômeno natural e recorrente, mas alguns ciclos são mais fortes e podem formar o chamado “Super El Niño”.
Como o El Niño altera o Pacífico
Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste sobre o Oceano Pacífico. Eles levam as águas aquecidas da região equatorial em direção à Indonésia. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem, mantendo a água quente perto da costa da América do Sul, junto de massas de ar quente e úmido.
A mudança afeta os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. A costa sul-americana do Pacífico e o sul dos Estados Unidos podem ter chuvas intensas. Já o Sudeste Asiático, a Austrália e outros lugares tendem a passar por períodos de seca.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região. No Sul, o fenômeno costuma trazer chuvas excessivas, principalmente na primavera e no início do verão, entre setembro e dezembro. Nas regiões Norte e Nordeste, um dos principais efeitos é o agravamento das secas.
Chuvas em excesso aumentam os riscos de enchentes, inundações e deslizamentos de terra. Em áreas com estiagens prolongadas, cresce a possibilidade de incêndios florestais. A agricultura e a pecuária também podem ser prejudicadas.
O efeito contrário do La Niña
O La Niña não está previsto para ocorrer em 2026, mas também interfere no clima mundial. Ele é marcado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, enquanto o El Niño envolve o aquecimento dessa região. Os nomes refletem essa oposição: El Niño significa “o menino” em espanhol, e La Niña quer dizer “a menina”.
Nesse fenômeno, os ventos alísios ficam mais fortes e empurram uma quantidade maior de água quente da superfície para o oeste. Águas frias das camadas profundas sobem, reduzindo a temperatura do oceano perto da costa oeste da América do Sul. Na Austrália e na Indonésia, a concentração de águas quentes favorece massas de ar quente e úmido.
No Brasil, o Sul tende a registrar chuvas menos frequentes e volumosas, com possibilidade de longos períodos de estiagem. Norte e Nordeste tendem a receber mais precipitações. Quando ocorre com grande intensidade, o La Niña também pode causar prejuízos para a agricultura e a pecuária, além de desastres ambientais.







