SÃO PAULO — Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que as doações de R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas e de R$ 3 milhões a Jair Bolsonaro, feitas em 2022, estariam relacionadas a uma negociação de propina para manter o Credcesta no governo de São Paulo.
As declarações estão em uma proposta de delação apresentada pelo ex-dono do Banco Master. O acordo acabou rejeitado pela PF e pela Procuradoria-Geral da República.
Os repasses foram registrados em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na operação Compliance Zero. Segundo o ex-banqueiro, os valores seriam contrapartidas financeiras por um suposto ajuste com Gilberto Kassab para manter o produto no governo de Tarcísio.
Vorcaro também relatou o pagamento de outros R$ 10 milhões em espécie a pessoas ligadas a Kassab. A informação recebida por ele era de que o dinheiro seria destinado a campanhas do PSD, partido presidido por Kassab. O interlocutor citado na delação é Augusto Lima, apontado como responsável pelas articulações de expansão do Credcesta.
O que dizem os citados
De acordo com o relato, o Banco Master queria preservar contratos de crédito consignado com o governo paulista. Vorcaro afirmou que, além da manutenção de um percentual de 5% dos resultados líquidos da operação, teria sido exigida contribuição para campanhas do PSD e de outras siglas apoiadas por Kassab.
O ex-banqueiro disse que a negociação teria sido cumprida. A exclusividade do Credcesta no governo estadual teria continuado por mais de um ano, até a edição do Decreto n° 69.126/2024, em 9 de dezembro de 2024, que abriu o mercado para outras instituições.
Tarcísio afirmou que não tinha relação com o doador citado nem conhecimento de condutas fora da campanha. Também disse que a prestação de contas foi apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.
O governador declarou ainda que a PKL One Participações S.A., responsável pelo Credcesta, foi credenciada como consignatária em maio de 2022, durante a gestão anterior. Segundo ele, o credenciamento não era um contrato com o Estado nem envolvia repasse de dinheiro público. As operações foram suspensas em 19/02/2026, após a liquidação extrajudicial das instituições.
Kassab chamou o relato de Vorcaro de “fantasioso” e negou ter tratado de doações ou do Credcesta com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Ele também afirmou que nunca recebeu valores em espécie.
Jair Bolsonaro foi procurado e ainda não havia respondido.







