SÃO PAULO — O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixou uma entrevista sem responder a uma pergunta sobre a investigação contra o vice-governador Felício Ramuth (PSD) por suspeita de lavagem de dinheiro em Andorra.
Tarcísio havia participado da inauguração de uma área de lazer em Embu das Artes, na região metropolitana, e respondeu a outros questionamentos antes de sair do local. Ramuth e a esposa, Vanessa Ramuth, são investigados pela Justiça de Andorra, país europeu situado nos Pirineus.
A apuração envolve uma conta no AndBank. Por decisão judicial, US$ 1,4 milhão — equivalente a R$ 7,2 milhões em cotação atual — atribuídos ao casal foram bloqueados. O valor continua indisponível.
O que dizem o governo e a defesa
Em nota, o governo de São Paulo afirmou que não há acusação contra Ramuth e Vanessa nem processo aberto no Brasil. Segundo o governo, a investigação trata do banco e todos os esclarecimentos já foram prestados diretamente em Andorra. A administração também declarou que os recursos foram declarados e que os impostos foram pagos.
Ramuth afirmou que os valores são lícitos e foram informados à Receita Federal. O vice-governador também declarou que não existe acusação formal contra ele ou a esposa, mas uma investigação relacionada ao banco.
O procedimento preliminar começou em 30 de maio de 2023, depois que o Ministério Público de Andorra recebeu um relatório de inteligência financeira e pediu diligências para investigar possíveis responsabilidades penais e civis relacionadas a uma eventual lavagem de dinheiro. As autoridades também solicitaram o bloqueio dos valores.
Ramuth e Vanessa prestaram depoimento presencialmente em Andorra em 2 de outubro do ano passado, acompanhados pela defesa. A oitiva foi gravada, mas seu conteúdo não foi divulgado.
A defesa informou o depoimento em uma petição enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal foi acionado pelo Ministério da Justiça depois que Andorra pediu cooperação para localizar os investigados e permitir que eles apresentassem sua versão. No documento, a defesa pediu que o caso fosse encerrado no STJ e tratado apenas no âmbito internacional.








