BRASÍLIA — O Brasil recuperou e superou, em ciências, o desempenho que tinha antes da pandemia de covid-19, segundo os resultados do Pisa 2025 divulgados pela OCDE nesta terça-feira (8). Em leitura e matemática, as perdas brasileiras entre 2018 e 2025 foram menores que a média da organização.
Mesmo com essa recuperação, o país continuou abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas. O Brasil marcou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Entre 23 países da organização, as médias foram de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente.
Distância menor desde 2006
A comparação histórica mostra avanço. Em leitura, a diferença para a média da OCDE caiu de 102 pontos em 2006 para 58 em 2025. Em matemática, passou de 131 para 92 pontos; em ciências, de 113 para 77.
Como 20 pontos equivalem a um ano escolar, a distância em matemática representa cerca de 4,6 anos em relação aos países da organização. As notas de 2025 ficaram estáveis na comparação com 2022, com exceção de ciências, que subiu de 403 para 409 pontos.
O estudo envolveu 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 estudantes, sendo 72,4% de escolas estaduais. Quase todas essas instituições, 96,9%, ficavam em áreas urbanas. Cerca de 84,7% dos alunos estavam na 1ª ou 2ª série do Ensino Médio. As provas foram aplicadas entre abril e maio de 2025.
Celulares e aprendizagem digital
O foco principal desta edição foi o letramento científico. O Pisa também introduziu o domínio Aprendizagem no Mundo Digital, que avaliou a Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais e os Processos de Aprendizagem Autorregulada.
Na primeira divulgação, foram apresentados os resultados de Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais. O Brasil teve 406 pontos, contra 500 da média da OCDE. Entre 19 países selecionados, a Coreia do Sul alcançou 538 pontos e o Paraguai, 352. Os dados sobre Processos de Aprendizagem Autorregulada serão divulgados em 2027.
Os questionários também perguntaram sobre celulares em sala de aula. No Brasil, 81% dos estudantes frequentavam escolas com restrições ao uso desses aparelhos, ante 37% em 2022 e 49% na média da OCDE. O MEC relacionou o resultado à Lei nº 15.100/2025, que criou regras para celulares na educação básica.
Interesse pela escola
Em 2025, 72% dos estudantes brasileiros disseram ter interesse por diversos assuntos, enquanto 59% afirmaram se esforçar mais diante de desafios. A parcela que considera a escola uma perda de tempo caiu para 16%, abaixo dos 24% registrados na média da OCDE e 6,9 pontos menor que em 2022.
Estudantes que valorizam a educação e rejeitam a ideia de que a escola é uma perda de tempo obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências. Na OCDE, essa diferença foi de 27 pontos.
O Brasil também registrou percentuais acima da média da organização em questões ambientais: 84% disseram acreditar que podem gerar impactos positivos para o meio ambiente, 87% confiaram na ação coletiva e 77% afirmaram saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas.
O Pisa é aplicado a cada três anos a estudantes de 15 anos. No Brasil, a avaliação é coordenada pelo Inep, autarquia vinculada ao MEC. O país participa do programa desde 2000 e esteve em todas as edições. A avaliação de 2025 foi o nono ciclo.







