SÃO PAULO — A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do Ministério Público de São Paulo analisa uma representação que aponta possíveis conexões entre o Banco Master, a Equatorial Energia e as privatizações da Sabesp e da EMAE.
O documento questiona a estrutura financeira das operações conduzidas pelo governo paulista em 2024 e 2025. A representação sugere que bancos, fundos, gestoras e empresas teriam atuado de forma integrada, com possível sobreposição de interesses na aquisição de ativos públicos.
Venda da Sabesp
A desestatização da Sabesp ocorreu em julho de 2024. O governo paulista deixou de ser acionista majoritário da companhia ao vender um bloco de controle equivalente a 15% das ações.
Na época, o mercado avaliava a empresa em mais de R$ 56 bilhões, enquanto os papéis eram negociados em torno de R$ 82,00. O governo vendeu as ações por R$ 67,00 cada, em uma operação que somou cerca de R$ 6,9 bilhões.
A Equatorial foi a única interessada no processo. Segundo análises citadas na representação, o desconto em relação ao valor de mercado chegou a 44%. Meses depois, as ações passaram a ser negociadas acima de R$ 150,00.
O BTG Pactual aparece no documento como responsável pela coordenação da oferta pública de parte dos papéis da Sabesp. A representação também afirma que os pedidos de compra ultrapassaram R$ 200 bilhões, em uma oferta considerada significativamente menor.
Operação da EMAE
Outro ponto analisado é a venda da EMAE. O leilão ocorreu em abril de 2024, vencido pelo Fundo Phoenix com uma proposta de aproximadamente R$ 1,04 bilhão.
A representação afirma que uma emissão privada de debêntures da Phoenix S.A. viabilizou a aquisição, em um montante estimado em cerca de R$ 520 milhões. O documento também destaca que o fundo foi criado pouco menos de um mês antes do certame.
O Banco Master é citado como parte da estrutura financeira ligada às duas operações. De acordo com a representação, o banco teria intermediado recursos e ajudado a organizar estruturas societárias usadas por grupos interessados nos ativos.
O documento ainda menciona investigações da Comissão de Valores Mobiliários sobre a valorização das ações da Ambipar, associada à recompra de papéis e à concentração acionária. Esses ativos teriam sido usados como lastro em operações financeiras posteriores.
Carlos Piani, que ocupou posições na Ambipar, na Equatorial e depois na Sabesp, aparece entre os nomes citados. Fabiano Zettel, ligado ao Grupo Master, também é mencionado.
O Ministério Público de São Paulo informou que verifica se o caso tem relação com outro procedimento em andamento na área de patrimônio público. A representação pede a abertura de inquérito civil e prevê o possível encaminhamento às autoridades federais caso surjam indícios de competência da União.
O procedimento não tem caráter criminal, mas pode subsidiar ações futuras se forem identificados indícios de irregularidades. A Equatorial Energia afirmou que participou de um processo de desestatização conduzido com transparência, legalidade e apoio de assessores especializados.








