Brasil

Ex-dirigente da Fazenda de SP é preso sob suspeita de receber R$ 4,5 milhões

MPSP afirma que André Weiss recebia mochilas com dinheiro em restaurantes e cafés de Pinheiros durante suposto esquema de fraude no ICMS.

Ex-número 3 da Fazenda recebia mochilas com propina em cafés chiques de SP
Foto: Reprodução/Google Maps

André Weiss, ex-número três da Secretaria da Fazenda de São Paulo, foi preso nesta quinta-feira (3/9) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele é suspeito de receber R$ 4,5 milhões em propina por meio de mochilas entregues em restaurantes e cafés da região de Pinheiros, na zona oeste da capital.

Segundo o MPSP, os encontros ocorreram em locais como o restaurante Più, na rua Ferreira de Araújo, e a cafeteria Ofner, na Avenida Pedroso de Morais. As informações sobre os pagamentos foram obtidas na delação premiada do auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como PP.

A investigação afirma que os repasses começaram em abril de 2023, quando Weiss assumiu a Diretoria de Fiscalização (Difis). Ele teria mantido Paulo Prado no comando da Delegacia Tributária do Butantã, apontada como núcleo de funcionamento do esquema. As parcelas eram de R$ 250 mil até alcançar o total de R$ 4,5 milhões.

O dinheiro teria saído do escritório do advogado João André Buttini de Moraes, também preso na operação. De acordo com o MPSP, clientes do escritório Buttini de Moraes Sociedade de Advogados e da consultoria BM Tax pagavam honorários milionários em troca de vantagens tributárias.

Como funcionava a fraude

Empresas que pagavam propina aos fiscais envolvidos eram colocadas na frente da fila de ressarcimento do ICMS, um processo que pode durar anos. Os investigadores também afirmam que os auditores inflavam créditos tributários, que poderiam ser revendidos no mercado.

A Smart Tax, registrada no nome da mãe do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, emitiu mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais que, segundo a investigação, ajudariam a dar aparência legal ao dinheiro obtido com propina.

A Fast Shop, que teria recebido R$ 936,4 milhões em vantagens, deverá pagar multa de R$ 1,04 bilhão. Segundo o MPSP, essa foi a maior multa já aplicada com base na Lei Anticorrupção.

Weiss comandou a Diretoria Executiva da Administração Tributária (Deat) entre novembro de 2023 e maio deste ano. Depois que o caso ganhou destaque com a prisão do empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, ele escalou oito auditores fiscais para um grupo de trabalho contra fraudes.

Sauna e lavagem de dinheiro

O MPSP afirma que Weiss sugeriu a compra de uma sauna em São Paulo para realizar reuniões e facilitar a lavagem de dinheiro. A ideia foi registrada em um áudio apreendido no celular de Artur Gomes da Silva Neto durante a Operação Ícaro, deflagrada em 2025.

A gravação registra uma reunião realizada em julho de 2023, com a participação de auditores. Um dos temas seria a centralização de processos de ressarcimento de grandes contribuintes. Para o MPSP, a conversa indica que Weiss tinha conhecimento das fraudes e tratava o recebimento de propina com naturalidade.

Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que trabalha com o MPSP na apuração. A pasta disse que cinco envolvidos foram demitidos, um foi exonerado e 17 servidores foram afastados sem remuneração. Também afirmou que autuações contra empresas já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.

A defesa de João André Buttini de Moraes declarou que está analisando os elementos da investigação e que prestará esclarecimentos às autoridades após ter acesso integral aos autos.

Texto produzido pela Redação Pulso Jovem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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