BRASÍLIA — A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou grupos de WhatsApp e redes sociais para pressionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master. A articulação ocorreu após Lula pedir a quebra completa do sigilo das investigações envolvendo o caso.
Uma das mensagens foi compartilhada no grupo “Lulaverso”, criado pela campanha de Lula em 2022 e ainda ativo. O texto convocava apoiadores a comentar as decisões de Mendonça e defender a atuação independente das instituições. A publicação dizia que faltavam “25 dias para as eleições” e pedia reação imediata da militância.
A mobilização começou antes de uma declaração pública do presidente. Poucos minutos depois, Lula afirmou que eram necessárias “explicações e medidas imediatas” diante da crise institucional no Poder Judiciário. Ele também defendeu a divulgação integral das investigações de todos os envolvidos no caso Master, sem distinção.
Pressão sobre o relator
Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, acusou Mendonça de barrar apurações relacionadas a Flávio Bolsonaro, de agir de forma parcial nas investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e de impedir a divulgação de informações sobre o escândalo Dark Horse. Para Valadares, a condução do processo poderia influenciar a eleição ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República.
Nos bastidores, conselheiros de Lula atribuem a Mendonça responsabilidade pelo momento desfavorável do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles também relacionam o entorno do ministro a vazamentos de uma investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A avaliação desse grupo piorou após a retirada do sigilo de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Os conselheiros dizem que parte do eleitorado pode associar Moraes a Lula e mencionam a gratidão do Planalto ao papel do ministro no julgamento da tentativa de golpe de Estado, que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão.
Pesquisas e mensagens no STF
A pressão aumentou depois da divulgação de pesquisas que apontaram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7) mostrou os dois com 41% das intenções de voto. O mesmo patamar havia aparecido em março.
Também foram divulgadas informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. Eles trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias, e a investigação indicou que o banqueiro pedia auxílio e orientações ao ministro sobre as apurações do Master. Conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também aparecem no caso, intermediadas por um advogado.







