BRASÍLIA — A Polícia Federal identificou uma estrutura que teria usado a empresa Tirreno para criar e movimentar créditos antes da venda de carteiras do Banco Master ao BRB. O esquema, conforme a investigação, envolveu operações fictícias ou sem sustentação material que somaram cerca de R$ 17 bilhões.
A Tirreno repassava créditos ao Master, que depois os vendia ao Banco de Brasília. A empresa é suspeita de ter sido criada para dar aparência regular aos ativos. A PF afirma que o Master não tinha histórico nem capacidade operacional de produzir crédito consignado em volume suficiente para sustentar as transações bilionárias.
Documentos e procurações
A equipe de tecnologia do Master teria usado scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário em lote, a partir de CPFs retirados de bancos de dados antigos. Entre eles estava o CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia e que depois foi parar no Banco Master.
Também foram criadas cláusulas para simular que clientes haviam autorizado o Master ou a Tirreno a assinar empréstimos em seus nomes. Segundo a PF, os titulares não tinham autorizado nem assinado procurações. A investigação apontou a criação automatizada de 2,7 mil procurações; provavelmente, 1.785 delas foram enviadas ao BRB em operações ligadas a créditos atribuídos à Tirreno.
A aprovação das compras pela diretoria do BRB ocorria com trâmite frequentemente acelerado, mesmo quando pareceres jurídicos indicavam a necessidade de consulta ao conselho de administração. A PF afirmou que houve “produção massiva de documentos falsos” e manipulação de dados internos.
Transferências e prisão
A polícia calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do BRB para operações incompatíveis com a saúde financeira do banco. A investigação também apontou prática de corrupção pelo então presidente da instituição, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.
Como contrapartida, Daniel Vorcaro teria pago R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique. A operação teria sido feita por meio da compra de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Essa informação levou o ministro André Mendonça a determinar, em abril passado, a prisão do ex-presidente do BRB durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.
Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa estão presos. O caso está sob relatoria de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, após a retirada do sigilo de arquivos da investigação.
A PF também relacionou as operações às dificuldades de liquidez enfrentadas pelo Master a partir de 2024. Em 2025, o BRB tentou comprar o banco, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central. Depois, o Master foi liquidado, e o BRB ficou com um prejuízo bilionário ainda não totalmente calculado nem coberto.







