SÃO PAULO — A Polícia Federal investiga transferências do Instituto Conhecer Brasil (ICB) a empresas relacionadas ao filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração faz parte da operação “Make Up”, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, contra supostos desvios de emendas parlamentares.
Entre os alvos de busca e apreensão estão a produtora GoUp Entertainment, a Go7 Assessoria Produção e Marketing Cultural e Karina Gama, representante das empresas. O deputado federal Mário Frias também está entre os investigados. As defesas de Karina e Frias não haviam respondido aos pedidos de posicionamento, e o espaço permanecia aberto.
Transferências sob análise
Relatórios de inteligência financeira obtidos pela PF apontam que a Go7 recebeu pelo menos R$ 1 milhão do ICB em uma única transferência. A operação ocorreu em algum momento entre 1º de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026, mas a data exata não foi informada.
A empresa foi criada por Karina Gama em 2005. Embora não apareça oficialmente como produtora de Dark Horse no registro da Ancine, a Go7 é apresentada em um folder do filme como integrante da joint venture que formou a GoUp Entertainment, ao lado da americana Uptone Picture.
A investigação também cita R$ 2 milhões em emendas enviadas por Mário Frias ao ICB. A organização ainda firmou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos de Wi-fi na periferia da capital.
Movimentação da produtora
A decisão de Flávio Dino menciona outros repasses ligados ao caso. O ICB enviou R$ 700 mil à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. Depois, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
A PF afirma que ainda não há comprovação de que os valores públicos recebidos pelo ICB tenham chegado diretamente à produtora. Para os investigadores, porém, a proximidade entre as operações financeiras é relevante.
Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a GoUp movimentou R$ 19.033.071,00. Nesse período, recebeu recursos da NTT Brasil e de Mário Frias, que teria enviado R$ 645,4 mil. As filmagens da cinebiografia aconteceram entre outubro e dezembro de 2025.
A Go7 já foi registrada na Ancine e, segundo Karina Gama, serviu para protocolar um projeto de documentário chamado “Atletas de Cristo”, que não foi produzido.







