MANAUS — O DNIT está destinando R$ 92,8 milhões para retirar 1,8 milhões de metros cúbicos de material de um trecho de aproximadamente 200km no Rio Amazonas. A obra é questionada pelo professor Augusto César Barreto Rocha, que afirma não encontrar estudos publicados e revisados por pares comprovando sua efetividade ou viabilidade.
Rocha defende que a prioridade seja entender melhor a seca e seus impactos antes de executar intervenções de grande porte. Segundo ele, estudos técnicos mais aprofundados custariam menos: há propostas de cerca de R$ 30 milhões para um ciclo de cinco anos de investigação do problema.
Disputa por soluções
Na avaliação do professor, o debate tem sido marcado por propostas apresentadas como respostas prontas, sem que a complexidade da seca amazônica tenha sido compreendida. Entre as ideias citadas estão a dragagem, a cobrança de uma taxa de seca e a concessão dos rios, que poderia abrir caminho para a cobrança de pedágio.
Ele também critica a falta de conexão entre essas medidas e as necessidades de índios, ribeirinhos e moradores locais. Para Rocha, decisões sobre a região têm priorizado oportunidades para o capital, enquanto a população amazônica participa pouco das discussões.
O professor afirma que o Norte do Brasil não tem hidrovias estruturadas. O que existe, segundo ele, é uma rede de rios com trânsito expressivo de embarcações, usados como caminhos naturais pela economia da Amazônia. Por isso, considera inadequado tratar esses cursos d’água como hidrovias verdadeiras.
Custo e participação
Rocha avalia que obras de grande impacto estão sendo realizadas para produzir um efeito incerto e possivelmente nulo sobre a causa do problema. Ele também aponta o risco de aumento do Custo Amazônia, somado ao Custo Brasil, enquanto empresas cobram taxas relacionadas à seca.
O autor relaciona o cenário ao aquecimento do planeta. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente informou que a temperatura global deve ultrapassar 1,5ºC acima do nível pré-industrial “provavelmente nos próximos anos”.
Para Rocha, é necessário repensar a forma de elaborar políticas públicas e evitar decisões tomadas pela pressão por respostas rápidas. Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes pela COPPE/UFRJ, professor da UFAM e diretor adjunto da FIEAM, responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.








