BRASÍLIA — A defesa da produtora Karina da Gama afirmou que a transparência interessa à Justiça, à sociedade e à própria defesa após Flávio Dino autorizar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a produzir relatórios financeiros sobre ela e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG da qual é presidente.
O advogado Ricardo Sayeg, que representa Karina, declarou que a defesa recebe a decisão “com absoluto respeito”. Ele também sustenta que a produtora não cometeu nenhum ilícito.
A autorização foi dada neste domingo, 13, dentro da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o filme “Dark Horse”, inspirado na vida de Jair Bolsonaro. Dino também retirou o sigilo da apuração e permitiu que os dados produzidos pelo Coaf sejam compartilhados com o inquérito da polícia paulista.
Contrato com a Prefeitura de São Paulo
Os pedidos para acessar informações financeiras de Karina e do ICB eram feitos pelos policiais desde maio, mas não tinham sido autorizados pela Justiça de São Paulo. A solicitação considerava movimentações desde junho de 2024.
O período começa quando o ICB assinou um contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de WiFi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista. As investigações apontam suspeitas de desvio de recursos públicos para a produção do longa-metragem.
Em decisão do final de agosto, o juiz Nelson Augusto Bernardes afirmou que eram necessárias mais informações sobre o objeto da investigação para autorizar os relatórios. A Polícia Civil apresentou os esclarecimentos, mas o pedido não voltou a ser analisado pela Justiça de São Paulo.
O Coaf já havia elaborado relatórios de inteligência sobre Karina em uma investigação da Polícia Federal relacionada ao desvio de recursos públicos para a produção de “Dark Horse”. Com a decisão, esse material poderá ser compartilhado com a investigação da polícia paulista.







