SÃO PAULO — O Chile recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) a validação por ter interrompido a transmissão da raiva por cães. O país não registra casos da doença há 54 anos e é o primeiro da América do Sul a alcançar esse reconhecimento.
A confirmação foi anunciada nesta segunda-feira (14). Para conceder a validação, a OMS avaliou de forma independente o dossiê apresentado pelo Chile e verificou evidências técnicas de interrupção sustentada da transmissão. Entre os critérios estão vigilância, diagnóstico em laboratório, vacinação de animais, acesso à profilaxia pós-exposição e preparação para uma eventual reintrodução do vírus.
A ministra da Saúde do Chile, May Chomalí, afirmou que o reconhecimento é resultado de políticas públicas mantidas por décadas. Entre as ações citadas estão a vacinação de animais de estimação e a profilaxia pós-exposição para pessoas em risco. “Estamos orgulhosos de receber esta validação”, disse.
Como a raiva é transmitida
O vírus continua presente em todos os continentes, com exceção da Antártida. De acordo com a OMS, a doença provoca cerca de 60 mil mortes por ano. Em até 99% dos casos, os cães domésticos são responsáveis pela transmissão para humanos, por meio de mordidas ou arranhões e do contato com a saliva de um animal infectado.
A enfermidade também pode atingir animais selvagens e domésticos. Apesar de existirem vacinas humanas e imunoglobulinas eficazes, esses recursos não estão disponíveis ou acessíveis para todas as pessoas que precisam. Crianças entre 5 e 14 anos aparecem entre as vítimas mais frequentes.
Resultado regional
A maior parte das mortes humanas, 95%, ocorre nas regiões da Ásia e da África, principalmente entre populações pobres e vulneráveis de áreas rurais remotas.
A validação do Chile também considera décadas de ações coordenadas nas Américas. Desde 1983, os casos humanos de raiva transmitida por cães na região caíram mais de 98%, com apenas alguns registros por ano. O processo da OMS ainda leva em conta a colaboração entre setores e a abordagem “Uma Só Saúde”.







